Para o deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR), o Brasil pode aumentar a produção agropecuária sem precisar derrubar mais nenhuma árvore

 

01 de setembro de 2019 às 21h00

Atualizado em 15 de abril de 2020 às 17h44

Por Bruno Amorim, de Brasília (DF)

A edição do programa Direto ao Ponto deste domingo, 1º, debate a necessidade de ampliação das penas para quem pratica o desmatamento ilegal no Brasil. Logo de início, o deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR) lembrou que o Brasil pode aumentar a produção agropecuária sem precisar derrubar mais nenhuma árvore.

Ele também comparou a produção de alimentos no país e na Europa. “A França, Espanha, têm uma média de 60% de seus territórios ocupados. Já o Brasil utiliza algo em torno de 8% do seu território pra produção de grãos e florestas plantadas, e mais uns 21% para pecuária, ou seja, nem 30% do território nacional são usados”, disse.

Para o deputado, o país produz o ano inteiro e precisa tomar muito cuidado. “Nós plantamos em pouca área a nível global. Isso assusta e há muito preconceito, principalmente, com a derrubada da floresta.

“Há muita gente ligada ao setor produtivo agropecuário cometendo crime, e nós temos que ser responsáveis. Nós temos uma boa imagem do Brasil ambientalmente correto lá fora. Somos exportadores e precisamos cuidar daquilo que vendemos”, diz.

Desmatamento ilegal zero

De acordo com Souza, o Código Florestal vem fazendo muito pelo desmatamento ilegal zero. “Nós criamos ali um mecanismo de consolidação, de áreas consolidadas, limitamos pequena, média e grande propriedades. Fora dos quatro módulos, nós colocamos uma regra no Brasil: a obrigação de se ter uma reserva legal que vai de 20% a 80%, dependendo do bioma”.

O parlamentar afirma que o produtor rural pode, desde que com autorização do órgão ambiental local ou regional, suprimir até 20% da cobertura da terra da qual é proprietário. Se passar disso, já se torna ilegal.

Ele ainda esclareceu que há muito desmatamento em áreas públicas, áreas de parques nacionais, áreas de reservas indígenas, e que esse desmatamento ilegal acaba causando uma imagem muito ruim para o Brasil, signatário do Acordo de Paris, no qual se compromete a conter emissões e recuperar áreas para preservação.

Os compromissos nacionais para o setor florestal e outras áreas estão contidos na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil ao Acordo de Paris. Esse documento indica quais são as ações que o governo brasileiro quer adotar para alcançar sua meta de reduzir 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025.

As iniciativas vão desde zerar o desmatamento ilegal até 2030 como restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas nesse mesmo prazo.

FPA

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) está preocupada com a imagem do país no mundo e se empenha para mostrar que o Brasil preserva o meio ambiente e suas florestas. O deputado Zé Vitor (PL-MG) apresentou um projeto que vai criar medidas de combate ao desmatamento e que vai endurecer as penas para quem desmatar ilegalmente. Segundo Zé Vítor, o Brasil é uma referência em produção de qualidade e com respeito ao meio ambiente. Esse é o marco do agronegócio brasileiro.

“O nosso setor está preocupado com o desmatamento, por isso que apresentamos esse projeto. Esse assunto sempre esteve presente na pauta da FPA Frente. O projeto traz penalidades mais duras pra quem desmatar uma área sem a devida autorização, além de criar um cadastro nacional dentro do CAR e do Sistema de Cadastro Ambiental Rural- Sicar (plataforma do CAR). Qualquer fiscal, qualquer cidadão, vai poder verificar se aquela atividade que está sendo executada é legal ou ilegal. Dá visibilidade, transparência e acaba endurecendo a pena. A nossa legislação é segura e inteligente”, afirma Zé Vitor.

Para o deputado Sérgio Souza, esse projeto vai criar um ambiente favorável para aprovação do texto. “Tem que ser todos a favor da produção de alimentos e do meio ambiente”.

“A impressão que se tem é como se o agronegócio fosse o grande vilão, e nós estamos muito preocupados com essa imagem que o Brasil está criando lá fora. Nós queremos ajudar dentro do parlamento. Nós queremos segurança para o produtor rural”, diz Zé Vitor. O parlamentar lembra ainda que a regularização fundiária também merece preocupação. “[O projeto] Não pode ficar esquecido, não pode ficar na gaveta”, disse.

Importância do agro

O deputado Sérgio Souza afirma que a sociedade precisa se atentar ao fato de que a atividade agropecuária impulsiona a economia e gera 50% dos empregos diretos ou indiretos no Brasil. “Nós temos que ter responsabilidade para preservar uma floresta como da Amazônia. Ela é um regulador climático, ela é um regulador de chuva, temos que ter essa responsabilidade da sustentabilidade. Nosso Brasil é urbano, 93% da população mora na cidade, nós temos que ter essa sensibilidade, produzir alimento de qualidade, alimento seguro para o consumo humano, e essa ser a nossa atividade econômica, mas sempre com o olhar voltado para o meio ambiente porque sem ele não vamos ter sobrevida no planeta”, disse o parlamentar.

Fonte(s): Canal Rural

Gestão da agricultura irrigada é essencial, dizem especialistas em audiência da CDR

Em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) nesta segunda-feira (12), representantes do governo e do setor agrícola concordaram quanto ao grande potencial do país para a expansão da área irrigada, que consideram não estar crescendo de forma expressiva em consequência de vários fatores ligados à gestão. A audiência foi conduzida pelo senador Fernando Collor (Pros-AL), presidente da comissão.

Secretário de mobilidade e desenvolvimento regional e urbano do Ministério do Desenvolvimento Regional, Tiago Pontes destacou a importância da irrigação em face do regime hídrico de cada região e lembrou que o país tem 12% das reservas de água doce do mundo e desempenha um papel estratégico na produção e distribuição de alimentos.

— É necessário investir em planejamento, pesquisa, estudos, projetos e infraestrutura. A oportunidade que se apresenta para o futuro deverá ser constituída no presente — disse.

Frederico Cintra Belém, coordenador-geral de irrigação e drenagem do Ministério da Agricultura, detalhou os planos de ação da pasta para expandir a irrigação no país. Belém apresentou dados que apontam um potencial de crescimento da área irrigada para 55 milhões de hectares, mas disse que o incremento anual ainda seja muito pequeno.

— A gente quer, com incentivo nessas ações, pelo menos dobrar esse incremento de área irrigada e, até o fim de 2023, crescer pelo menos 1,2 milhão de hectares.

Salientando que a gestão deve ser melhorada, Belém defendeu as ações já em curso no âmbito do ministério, incluindo incremento do suporte energético para irrigação, como o "destravamento" no licenciamento para barragens e no incentivo ao reuso de água.

Por sua vez, Raimundo Gomes de Matos, diretor de planejamento e articulação de políticas da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), pediu atenção do Congresso ao projeto do Plano Nacional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados (PL 6.163/2019), que tem a segurança hídrica como um de seus eixos. Em seu entendimento, a irrigação depende de fatores como investimento em novas tecnologias de eletrificação, normatização de legislação da outorga, e melhor gerenciamento da transposição das águas do Rio São Francisco.

— É preciso também o Congresso Nacional ter um protagonismo nesse sentido para darmos segurança jurídica e tranquilizarmos os gestores — declarou.

Já Jordana Gabriel Sara Girardello, assessora técnica da comissão de irrigação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cobrou políticas públicas para remover "entraves à irrigação". Ela afirmou o índice de desenvolvimento humano aumentou em 47% na região de Petrolina (PE) desde a implantação da agricultura irrigada. E disse que o sistema irrigado é importante para culturas como a do café.

— O déficit hídrico no café produz grãos menores e com nível de defeito maior. Então, o café, além de ter mais produtividade com a irrigação, também melhora a qualidade do grão produzido — disse.

Segundo Jordana Girardello, o volume de irrigação no Brasil corresponde a apenas 0,6% da água disponível, mas falta gestão da disponibilidade de recursos em face da demanda hídrica. Ela também mostrou preocupação com a atual crise hídrica e energética, pelos impactos desfavoráveis à irrigação.

Prefeito de Pão de Açúcar (AL) e ex-secretário de Agricultura de Alagoas, Jorge Dantas se declarou favorável à transposição do Rio São Francisco, mas disse que seu município “andou na contramão da História”, por efeito das intervenções que privilegiaram a geração de energia elétrica e prejudicaram a produção agropecuária, até então dependente da sazonalidade do rio. As medidas compensatórias prometidas pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), segundo ele, não foram implementadas ou foram insuficientes.

— É preciso trabalhar não apenas a água para irrigação, mas também para socorrer os pequenos agricultores.

Jorge Dantas cobrou planejamento e continuidade: ele criticou a sucessão de programas de irrigação que acabam sendo interrompidos na mudança de governos. Em resposta, Frederico Cintra Belém defendeu os projetos em curso, que, segundo ele, evidenciam a maior capacidade do governo de executar de política de irrigação e consolidam o tratamento da questão dentro de um programa de Estado

— O governo federal tem consciência do que atrapalha a agricultura irrigada e vem traçando ações que foram efetivas desde 2019.

Na abertura, Collor citou estatística da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para ressaltar que as áreas irrigadas correspondem a menos de 20% da área total cultivada, mas produzem mais de 40% dos alimentos, e ressaltou o “papel central” do Estado na extensão dos benefícios da irrigação, especialmente em benefício do pequeno agricultor.

— Para este, a água é sinônimo de sobrevivência, garante dignidade no campo, contrapõe-se ao esvaziamento das áreas rurais — definiu.

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 Agência Senado

Nova praga de pastagem é registrada em território nacional

Pesquisadores da Embrapa em Campo Grande (MS) e parceiros acabam de registrar, oficialmente, a infestação de Duplachionaspis divergens (Hemiptera: Diaspididae) em pastos brasileiros. Trata-se de uma cochonilha detectada em pastagens do Mato Grosso do Sul com touceiras amareladas e secas, com danos visivelmente significativos. As perdas econômicas ainda não foram estimadas. O registro está publicado em periódico científico da área e a identificação ocorreu de acordo com as características morfológicas da fêmea adulta. Nos países onde ocorre, a praga chega a atingir 18 gêneros de gramíneas.

“Precisamos alertar o produtor rural quanto a essa praga, chamar sua atenção. Ainda não temos muitos estudos e nem recomendação de controle. Na Embrapa, as pesquisas são iniciais. Anteriormente, a espécie havia sido relatada no Brasil somente na cultura da cana-de-açúcar, em casa de vegetação. Agora, o cenário mudou”, afirma a entomologista da Empresa Fabricia Zimermann Torres. “Além da ocorrência em nossos campos experimentais, temos recebido algumas demandas de produtores preocupados, relatando sintomas e danos semelhantes em suas pastagens, o que pode ser devido a ataques dessa cochonilha”, completa.

A primeira constatação da presença do inseto sugador nas folhas de braquiária nos campos experimentais da Embrapa em Campo Grande ocorreu em 2018, com reinfestações nos anos seguintes. Naquele ano, em campos formados pelo híbrido BRS Ipyporã (foto ao lado), resistente à principal praga da pastagem, as cigarrinhas. “A infestação foi detectada na época seca, em meados de agosto, quando foi realizada coleta de folhas do capim escolhendo-se aleatoriamente dez pontos na área infestada de 0.45 ha [4.500 metros quadrados]”, lembra Torres. 

De acordo com ela, nesses pontos de coleta foram retiradas amostras de folhas do capim (cerca de 100 folhas por amostra) e separadas em “com” e “sem” infestação, chegando-se a um valor médio de 60% de folhas infestadas nessa área. Nos anos seguintes, segundo a pesquisadora, a infestação continuou avançando em outras áreas experimentais, e também em época chuvosa, sendo, desde então, acompanhada em outros estudos da Embrapa.

Os danos à planta decorrem da sucção de seiva nas folhas, levando ao amarelecimento e secamento das partes atingidas. Torres discorre que inicialmente, ao sair do ovo, a ninfa (fase jovem do inseto) locomove-se e fixa-se na parte abaxial das folhas. Porém em altas infestações conseguem chegar também aos caules e superfície adaxial (parte de cima das folhas). As fêmeas ficam fixas até mesmo depois de adultas. Já os machos possuem asas e voam em busca de acasalamento. 

A entomologista é responsável pelo registro oficial ao lado dos pesquisadores José Raul Valério, da Embrapa Gado de Corte; Renata Santos, da Universidade Católica Dom Bosco; Vera Regina Wolff, da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul; e Bruno Amaral, pesquisador do Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional no Estado de Mato Grosso do Sul.

Sobre o inseto-praga

Os primeiros relatos dessa espécie ocorreram em cana-de-açúcar, no Hemisfério Oriental, no Sri Lanka, na Argélia, no Egito, na Austrália e na Tailândia. No Ocidental, os registros ocorreram, na mesma cultura, na Venezuela e Colômbia, no início dos anos 1990. Em relação às pastagens, além do gênero braquiária, espécies dos gêneros Andropogon, Sorghum, Digitaria, Paspalum, Panicum, Pennisetum e Setaria também são fontes de alimento para o inseto. 

“Nos campos experimentais da Embrapa encontramos danos semelhantes em pastagens de capim-elefante(Pennisetum purpureum cvs) Napier, Cameroon, Pioneiro, BRS Canará, BRS Kurumi e BRS Capiaçu; e Panicum maximum cv. Aruana. Presumimos que tais gramíneas também sejam plantas hospedeiras para D. divergens”, afirma a entomologista. 

Pesquisas anteriores sobre a biologia dessa cochonilha relatam que as fêmeas adultas põem em média 130 pequenos ovos, com período embrionário médio de oito dias. E, ainda, que ocorrem nove gerações/ano com um ciclo completo, em média, de 39 dias, evidenciando o potencial dessa praga como uma séria ameaça aos sistemas de produção.

Não confunda 


A nova praga não deve ser confundida com a já conhecida cochonilha-dos-capins (Antonina graminis), que causa a “geada dos pastos”. A cochonilha-dos capins foi detectada no Brasil, pela primeira vez, em 1944, na Bahia; em 1964, no Pará; e em 1966, no estado de São Paulo.

 

Torres explica que “além de as cochonilhas serem diferentes morfologicamente, a cochonilha-dos-capins ataca a haste da planta, a partir do coleto e, quando na parte aérea, fica junto aos nós, sob a bainha das folhas. Em decorrência da sucção de seiva nesses locais, a planta perde sua capacidade de rebrota, podendo até morrer, o que é conhecido como ‘geada dos pastos’”. 

A pesquisadora enfatiza ainda que desde 1967, após a introdução do parasitoide Neodusmetia sangwani, a cochonilha-dos-capins teve seu controle estabelecido no Brasil.

Outras pragas 


As cigarrinhas-das-pastagens  continuam sendo a principal praga dos pastos brasileiros. Entretanto, com a diversificação do sistema produtivo, outras pragas passaram a preocupar cientistas e produtores rurais.  Uma delas é o percevejo castanho, com registro de ataques principalmente em pastagens do Brasil Central. Áreas mal manejadas e solos predominantemente arenosos favorecem a propagação do inseto e o aparecimento dos danos decorrentes de sua ação.

Estudos com percevejo castanho conduzidos pela Embrapa Gado de Corte apontaram que, aparentemente, em áreas bem manejadas e onde a correção e a adubação do solo são realizadas de forma frequente, as plantas estão mais bem nutridas e sentem menos os efeitos do ataque.

 

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 Embrapa Gado de Corte